Hoje, Dilma Rousseff fez um pronunciamento em rede nacional a respeito das manifestações que pipocam pelo país.
Dei com sua cara lavada por acaso, quando estava a correr os canais à procura de algo que me apetecesse. Parei por uns instantes nas imagens de Dilma, já sabendo que não suportaria parar por muito tempo. E foi por menos tempo do que eu supunha. 
Dilma dizia que os manifestantes têm todo o direito à livre expressão, o direito de pleitearem melhor saúde e educação, ou seja, e aqui já sou eu a dizer, o básico a qualquer ser humano pagador de impostos, o básico que nem deveria ter que ser cobrado, o básico pelo qual nem deveria haver a necessidade de se lutar.
Mas, continuou a presidenta (como gosta de ser chamada), ninguém tem o direito de recorrer à violência para tal. Como é que é? O que é isso, companheira Estela?
A que tipo de violência Dilma se referiu? Até onde eu sei, ninguém (ainda) começou a pegar em armas - metralhadoras, fuzis de uso exclusivo das Forças Armadas etc -, ninguém (ainda) começou a assaltar bancos, a sequestrar embaixadores, a planejar assassinatos, a pilhar quartéis da Força Pública.
Dilma e seus companheiros, os grupos Polop, Colina e Var Palmares, é que fizeram tudo isso.
Com que direito moral, com que jurisprudência de sua vida pregressa, Dilma vem a público pedir mansidão?
Decidido a mudar de canal, perguntei à minha esposa se ela queria continuar a ouvir Dilma. Diante de uma resposta afirmativa, deixei de coisas e fui cuidar da vida, fui à cozinha lavar a louça da janta e, em seguida, com o meu canecão viking reabastecido de cerveja, dirigi-me à sacada do apartamento, local onde, fechadas as portas de vidro contíguas à sala, eu ficaria protegido da voz da Dilma.
Passei célere pela TV, rumo à sacada. Não rápido o suficiente, porém, para deixar de ouvir Dilma soltar um "brasileiros e brasileiras". Ela sempre usou esse chamamento? Brasileiros e brasileiras, pããããããta que o pariu : encarnou o Sarney.
Só falta o bigodão. É só parar de raspar!
Reparem no Curriculo Vitae (à direita do nome, a alcunha pela qual era conhecida, companheira Estela), reparem na formação acadêmica de nossa presidenta, a mesma que, agora, pede calma aos manifestantes. Eles estão calmos, companheira! Calmíssimos, se comparados à companheira Estela e seus comandados.