Marcelo Crivella, pastor afastado sei lá de qual dessas igrejas evangélicas (nem gastei meu tempo no Google para saber), e atual Ministro da Pesca, também não sei com que capacitação para tal cargo (a multiplicação dos peixes feita por Jesus?), o que igualmente não tem relevância nenhuma num país onde acordos políticos prevalecem sobre a competência, disse a três mil pastores, na semana passsada, que eles devem aplaudir os governos de Lula e Dilma, por ambos terem implementado programas sociais - leia-se, esmolas - e melhorado a vida dos pobres, que, consequentemente, passaram a pagar maior dízimo.
Com o aumento do poder aquisitivo do pobre - leia-se : às custas de quem trabalha, enquanto ele, o pobre, continua na vadiagem -, ele passa a doar mais para as igrejas, pois, segundo Crivella, o pobre fiel a deus, o "povo evangélico", não gasta seus ganhos adicionais com compras em shopping centers e boutiques de marca, ele entrega a deus. Para a alegria e o gozo de pastores e padres.
Pããããta que o pariu!!! O PT instituiu o Bolsa-Jesus!
Bolsa-escola, bolsa-família, bolsa-presidiário, bolsa-ditadura etc : que meu suado dinheirinho sustenta muito vagabundo por aí, ao invés de me proporcionar um melhor sistema público de saúde - que me é devido e merecido -, uma melhor segurança - que me é devida e merecida - e uma melhor escola pública para o meu filho - que lhe é devida e merecida -, eu já sabia, há muito tempo.
Que meus impostos sustentam muitos currais e chocadeiras eleitorais pelos nortes e nordestes afora, eu também já sabia - chamo de chocadeiras eleitorais àquelas famílias mantidas pelo governo em estado de subsistência, sem precisarem trabalhar, no mais completo ócio, e só botando e chocando seus filhos, um por ano, ninhadas e mais ninhadas de futuros eleitores, e de futuros chocadores, ad infinitum.
Mas que o que roubam de mim ande a tornar os cofres das igrejas ainda mais robustos e polpudos, é novidade. Na verdade, eu já deveria desconfiado, inferido. É que, às vezes, apesar de toda minha mordacidade e acidez e contrariando minha pretensa visão ampla e crítica das coisas, eu me pego como o mais ingênuo dos seres frente aos donos do poder.
A relação é óbvia : mais dinheiro na mão do pobre, mais no cofre das igrejas, que vão cada vez mais domesticá-lo, cada vez mais torná-lo em manso rebanho, para que ele continue submisso - e sobretudo votando - à mão que lhe dá esmola, que volta à igreja, per secula seculorum, amem.
Esmola para o povo, esmola para deus. Talvez seja esse o real sentido do ditado : quem dá aos pobres, empresta a deus. E tudo fica guardado com os padres e os pastores.
Repito : pããããta que o pariu! É o Bolsa-Jesus! O Bolsa-dízimo.
Assim sendo, fui eu quem pagou a eleição do novo Papa, fui eu quem colocou Edir Macedo na lista dos bilionários da revista Forbes e quem está a financiar a construção de seu Templo de Salomão, sou eu quem compra o spray mata-capeta do Silas Malafaia, quem banca a chapinha do Marco Feliciano, quem compra as toalhinhas suadas e os tijolinhos da prosperidade do Waldemiro Santiago, o perfume com cheiro de Jesus da bispa Sônia, sou eu quem paga a hóstia de cada dia, e o michê do garotão de programa que come os sacrossantos cus dos padres.
Ateísmo à parte, acabo de decidir : já que é assim, também vou querer meu terreninho no Céu, também vou querer minha casinha popular do programa Minha Casa, Minha Além-Vida.
Nem que seja para sublocar, e ir viver no Inferno às expensas do aluguel do Paraíso.