Há átomos,
Artificiais,
Criados pelo ser humano,
Cujas existência e duração,
Em condições muito especiais e controladas,
Resistem por milimigalhas de segundos.
Na prática,
Às vistas de nossos 60, 70, quiçá 100 e poucos anos de longevidade,
É como se nunca tivessem existido.

Há a vida humana,
Criação do Universo
- ou, mais provavelmente, um acidente de trabalho dele -,
Cuja existência e duração,
Em condições muito especiais e controladas,
Resiste por 60, 70, quiçá 100 e poucos anos.
Na prática,
Às vistas da sempiternidade do Cosmos,
É como se nunca tivesse existido.

Por que, então,
Arrogantes,
Tentamos lhe atribuir tanto valor e grandiosidade?
Por que, então,
Prepotentes,
Nos enlutamos de pompa e solenidade e tristeza
E criamos deuses
Ao mais breve aceno dos vermes que roerão nossos ossos?
Por que,
Imperadores romanos,
Rituais pirotécnicos são organizados para registrar nosso fim?

Pedirão também pela salvação da alma
E pela extrema-unção
O moscóvio (Mc) e o Hássio (Hs)?
Lavrarão testamentos
O Tenesso (Ts) e o Copernício (Cn)?
Seguirá em cortejo e carpirá
Pelo Fleróvio (Fl) e pelo Nihônio (Nh)
Toda a tabela periódica?
Brigarão pelos espólios 
Do Laurêncio (Lr) e do Nobélio (No)
Todas as suas partículas subatômicas?