A Jota, a sombria e enigmática autora do blog Elemento Jota, escreveu hoje a respeito de uma antiquíssima memória sua, da época de seus 16 aninhos, quando, em uma visita a uma feira de livros, adquiriu um exemplar de Cálculo I e um volume do Kama Sutra. De Cálculo, admite ela, aprendeu picas. Do Kama Sutra, suponho, também.
Ela alerta, porém, aos tarados de plantão, que o Kama Sutra não é putaria pura, não é pornografia gratuita e despropositada. Diz-nos a Jota : "Mas para aqueles que nunca deram uma boa folheada no clássico indiano adianto que não é bem por aí. O livro está mais para uma abordagem de um tipo de ioga voltada ao prazer. O que não o exclui e não torna de todo inútil."
Voltado para o prazer de quem? Só se for de algum animal invertebrado, ou de alguma contorcionista de circo, daquelas que entram dentro de uma caixa de um metro quadrado.
Eu também, é claro, já dei uma olhadinha no tal do Kama Sutra e tenho certeza de que até consigo executar, de que até consigo entrar em algumas daquelas posições. A mesma certeza que tenho de que jamais conseguiria sair de nenhuma delas. Travaria tudo. Teria cãibra até no pau.
Mas discutir as impossibilidades anatômicas do Kama Sutra é para quem já está com a vida mansa, com uma buceta ganha. Em minha solitária adolescência, a dificuldade maior em realizar o Kama Sutra não era colocar a perna atrás do pescoço, tampouco plantar bananeira equilibrado na cabeça do pau, a grande impossibilidade era arrumar uma xavasca. Nem rezando para a deusa indiana da Grande Vulva.
Aprendi muito Cálculo em minha adolescência.
Por isso, à sombra dessa dolorosa memória, deixo aqui a minha contribuição aos adolescentes tímidos e introvertidos de hoje, meninos inábeis - como eu também fui - com o sexo oposto, sofredores calados que quando querem ver uma calcinha, que não seja nem a da mãe nem a da irmã, só mesmo dando uma passeada nas Lojas Marisa.
Para eles, o Kama Sutra do Punheteiro.