Serenatas Sem Métrica

Eu disse
Que não mais diria da Lua.
 
Mas dizer mais sobre o quê?
 
Se a Lua é o meu T.O.C.
Minha TV de um só canal
Meu rádio quebrado em uma única estação
Meu disco riscado a gaguejar na vitrola?
 
Dizer o quê,
Se não d'Ela? 
Se Ela é a minha monomania,
Meu samba de uma nota só?
 
Fazer o quê?
Cortar-me os pulsos e os tendões?
Para nunca mais empunhar uma caneta
Feito lança e a defendê-la de santos e de dragões?
 
Ou, pior,
Castrar-me de minhas cordas vocais?
Para nunca mais uivar
Serenatas desafinadas e sem métrica
Sob as suas janelas orbitais? 

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