As paineiras,
Uma vez ao ano,
Só uma vez ao ano,
Frutificam travesseiros
E caem em profunda dormência vegetativa.
No mais do tempo,
Na entressafra onírica,
Não se afligem
Não se desfolham nem se descabelam
Não se adubam de barbitúricos.
Sentam-se serenas
Às soleiras e às calçadas.
Aguardam,
Sentinelas em vigília,
Pela próxima colheita do sono.

Suas flores dão flor
Na hora de dar a flor,
De rosar o arrebol.
No mais do tempo,
No intermédio,
Não se angustiam
Com a rotina do verde,
Com o lento germinar da vida.

(as paineiras não tomam florais de Bach)