Dez anos de Marreta do Azarão. Dez rounds pesos-pesado. Sem intervalo pra beber água nem pôr gelinho na nuca. Sem clinches. Sem gongo que me salve. Apenas mais dois para o derradeiro 12º round
Perderei, na certa. Por pontos. Em pé. Por decisão fraudulenta dos juízes.
Os braços estão a um triz da total prostração. Erguê-los para desferir um jab contra o inimigo, dói tanto quanto, ou mais, que receber um cruzado no queixo. O supercílio já sangra mais que o recomendável. As pernas não mais gingam e bailam pelo ringue como este fosse pista de patinação no gelo : atolam-se em lama movediça. As asas de borboleta em meus tornozelos foram trocadas por bolas de chumbo de condenados perpétuos.
Já sou mais Maguila que Cassius Clay.