Todo Castigo Pra Biscate é Pouco (4)

Pandemias? A peste negra, a gripe espanhola, a AIDS? Coisa nenhuma! Surtozinhos endêmicos de nada.
Um único mal, até hoje na história da humanidade, merece o título de pandemia. Um flagelo que não se deixa deter nem intimidar por barreiras geográficas, sociais, religiosas, étnicas, ideológicas, econômicas, sanitárias, mesmo de eras geológicas : o chifre!
Apesar de ser um mal tão velho quanto o próprio ser humano, pouca certeza se tem de seus agentes etiológicos - se um vírus, um fungo, uma bactéria, um protozoário -, sabe-se apenas de seus meios de dispersão, de seus vetores; o principal, a buceta, a famosa xavasca.
O chifre, logo e portanto, é inevitável. O que muda, de caso pra caso, é a maneira com a qual o corno lida com ele. O cara pode ser o corno clássico : chorar, encher a cara e esfolar o cotovelo no balcão de um buteco, implorar e aceitar a biscate de volta; ou ser o anti-corno : chorar, encher a cara e esfolar o cotovelo no balcão de um buteco, mas jamais, em tempo algum, perdoar a vagaba. Antes pelo contrário : maldizê-la aos quatro ventos, arrastar o nome dela na lama, pôr o nome dela no SPC, o Serviço de Proteção ao Corno.
Foi o que fez Marcelo Nova na canção "Silvia". Sim, meus caros, o visceral e verborrágico Marcelo Nova, líder do Camisa de Vênus, até hoje o homem do rock no Brasil, também é corno. E qual a surpresa? Não são cornos apenas os cantores de boleros, fados, serestas, tangos e guarânias. Se o velho chifre não faz distinção geográfica etc, não seria um gênero musical a servir de imunização contra ele. Roqueiro também é corno.
Ou, no caso, anti-corno. Na canção, Marcelo Nova não nega o chifre, assume a galha com galhardia, mas é implacável com a tal da Silvia. Marceleza não tergiversa nem titubeia : "Ô, Silvia, piranha!!!", "Ô sua puta"!

Silvia
(Camisa de Vênus)
Você me diz que não tá mais saindo
Mas eu desconfio que cê tá me traindo

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que me tem carinho
Mas eu vi você com a mão no pau do vizinho

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Vive dizendo que tá numa boa
Mas veio pra São Paulo dar massagem em coroa

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Você jura e repete que me tem amor
Mas eu lhe flagrei com um vibrador

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Quando eu chego em casa com essa cara de otário
Vejo o zelador, tá dentro do armário

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Eu acho mesmo que você não tem jeito
Pois até o leiteiro anda mamando em seu peito

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Todo homem que sabe o que quer
Pega o pau pra bater na mulher

Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!
Ô Silvia, piranha!!! Ô Silvia, piranha!!!

Ô sua puta!


Para ouvir "Silvia", é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO

(rascunhei esta postagem há cerca de 10 dias, mas como minhas inércia, preguiça e total anedonia só me permitiram digitá-la hoje, a coincidir com a mais representativa data feminista do mundo - e a com mais cabelos no sovaco, também -, além da intenção inicial de tê-la escrito, deixo-a aqui também como uma modesta homenagem ao Dia Internacional da Mulher)

Postar um comentário

0 Comentários