No fim - e sempre -,
É a Morte quem treina os dois lutadores,
O campeão e o desafiante,
Pois ela própria
É a eterna desafiante
E a inexorável campeã.

No fim,
É a Morte
Quem,
Desde o começo,
Acerta as lutas
Realiza as pesagens
Controla o mercado negro das apostas,
É a Morte 
Quem é o empresário,
A marca de cerveja patrocinadora
E também o bookmaker
E o cambista na fila. 

No fim,
É a Morte
Quem arbitra a luta
Quem soa o gongo ao início 
E ao fim de cada round,
É a Morte
A gostosa de biquíni
Que desfila pelo ringue com a placa indicativa
Do número do próximo assalto,
Do próximo turno no matadouro, 
É a Morte 
Os cutmen em cada corner
Que limpam os lutadores do sangue
Que lhes fazem os curativos
E lhes dão de beber.

No fim,
É a Morte 
Quem desfaz ou não o clinch,
Quem para a luta
E poupa o seu predileto
Ou quem deixa o massacre seguir
Contra o seu preterido.
É a Morte
- e só ela -
Quem decide a hora de jogar a toalha.

No fim,
Caro Cassius,
É a Morte
Quem flutua feito uma borboleta
E ferroa feito uma abelha.
Cassius Marcellus Clay (1942 - 2016)