Para que
A mesma praça
O mesmo banco
No fim,
Todas as praças têm bancos
(ainda que destruídos)
Todas as praças têm jardins
(bem ou mal-cuidados).
Para que
A mesma praça
Bancos, jardins,
Se nenhuma
Tem mais o bom velhinho pipoqueiro
Nem o mesmo sorveteiro
Que ao nosso primeiro beijo assistiu?
Para que
A mesma praça
Bancos, jardins,
Se não tem mais balanço
Nem gangorra, meu amor
Nem crianças que não param de correr?
Principalmente:
Para que
A mesma praça
Bancos, jardins,
Se já não tenho você perto de mim?
Aliás
Para que
Alguma praça?
Se nenhuma se lembra
Que foi numa delas que começou o nosso amor?
A mesma praça?
Nem que a banda voltasse a passar
Cantando coisas de amor.
E só o que há de igual :
Continuo triste.

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