Até o início desse ano, nunca havia antes sequer manuseado um celular. Tenho certa repulsa à tal estrovenga. Certo asco da cara apalermada de quem passa horas e horas fixo à sua tela. Então, a desgraça do ex-governador Doria Calcinha Apertada, entre as tantas canalhices que aprontou para cima do professor, tirou-nos o clássico Diário de Classe, o de papel. O livro em que registrávamos as frequências, as atividades e as notas dos apedeutas. 
Somos obrigados, hoje, a usarmos uma porca e mal-acabada versão digital dele na plataforma da Secretaria de Educação Digital, a famigerada SED. Que inclusão digital no cu dos outros é refresco. Além de muito mal elaborada, o seu uso é um verdadeiro suplício. 
Quando não é a internet da escola que está capenga, é a plataforma que está com sobrecarga de usuários e trava. Em outras vezes, o registro da frequência não é salvo e temos que repetir a chamada. Noutras ainda, as notas desaparecem. Uma desgraça. 
Com o bom e velho papel, não havia erro. Papel não precisa conectar à rede, não fica sem bateria, não sobrecarrega o sistema, não dá bug, registrou, o registro não some "misteriosamente".
Assim, tendo que fazer a chamada online, fui obrigado a ter um celular. Peguei lá um Samsung da idade da pedra que fora da minha esposa e que estava no fundo de uma gaveta, troquei-lhe a bateria e o uso desde então na escola.
Uma vez no inferno, acatei o velho ditado e coloquei nele coisas de que gosto, pelo menos. Transferi alguns gigas de músicas e as ouço em uma caixinha de som com bluetooth aposentada pelo meu filho; gosto de ouvir música, mais do que assistir à TV ou a filmes. Ouço-as baixo, só para mim, quando limpo a casa, quando vou lavar os banheiros, quando faço a comida e, nos fins de semana, na sacada do apartamento, de madrugada, entornando. 
Passei a usar também a câmera, fotografo coisas pelo meu caminho que julgo interessantes e algumas, inclusive, chego a usar aqui no Marreta.
Aplicativos, fora os que já vieram fábrica e o da SED, instalei mais três.
O Plantnet, que identifica plantas a partir de fotos tiradas na hora ou já pré-existentes na galeria. Fornece os nomes científicos, os populares, as áreas de maior ocorrência da planta etc. Muito bom e útil para quem gosta de plantas e de saber-lhes os nomes.
O Accupedo, um contador de passos e de quilômetros, que uso para medir a distância percorrida em minhas andanças, o tempo decorrido, a velocidade média e o número de calorias queimadas.
E o Radionet, que tem endereços de rádios AM e FM do Brasil e do mundo. Podemos pesquisar por gênero, pelo nome da música, nome do autor, local.
Na sexta-feira, e, enfim, o motivo desta postagem, entrei nas rádios de Brasília, DF, à cata de rádios de MPB - xenófobo musical assumido que sou.
E encontrei uma preciosidade : a Corno FM, o chifre em primeiro lugar.

A rádio é uma verdadeira ode, um verdadeiro altar ao chifre. Toca os clássicos dos cabarés e dos zonões. 
Entre uma música e outra, em alguns momentos, o locutor solta uma frase sobre a galhada, autênticos aforismos do chifre. Por exemplo, "um homem sem chifre é um animal indefeso ".
E, de cara, nem bem eu tinha sintonizado a rádio, um clássico da cornagem sertaneja de raiz.


Solidão

(Milionário e José Rico)

Alguém me falou que você me enganou
Eu não posso acreditar
Eu preciso saber se foi mesmo você
Que mandou me avisar
Eu preciso partir, sei que não vou resistir
Esta solidão do amor para o meu coração
Eu preciso partir, sei que não vou resistir
Esta solidão do amor para o meu coração
Alguém me falou que você me enganou
Eu não posso acreditar
Eu preciso saber se foi mesmo você
Que mandou me avisar
Eu preciso partir, sei que não vou resistir
Esta solidão do amor para o meu coração
Eu preciso partir, sei que não vou resistir
Esta solidão do amor para o meu coração
Amor, eu gostaria saber
Se foi mesmo você que mandou me avisar
Porque se for verdade

Eu preciso partir, sei que não vou resistir

Esta solidão do amor para o meu coração Eu preciso partir, sei que não vou resistir Esta solidão do amor para o meu coração Para o meu coração, para o meu coração Para o meu coração.

Para ouvir a canção, é só clicar aqui, no meu solitário MARRETÃO.