No cruzamento da rua Garibaldi com a Duque de Caxias, entroncamento pelo qual passo na volta do trabalho para casa, há, como já relatei, a 5ª CSM (Circunscrição de Serviço Militar), em frente à qual, desde a segunda-feira pós-apocalipse petista, uma pequena multidão verde e amarela está em vigília.
Nem coloco aqui em questão a legitimidade ou não dessas manifestações, desse movimento auriverde, mas simpatizo e coaduno com seu propósito. Mais ainda, tenho um profundo respeito por pessoas que arregaçam as mangas na defesa de suas convicções. Eu também tive umas poucas delas, porém, nunca lutei por elas, nunca tive essa energia, ou essa fé, ou já desconfiava de que seria tempo perdido fazê-lo.
Não obstante a quadra em que se situa a 5ª CSM estar fechada para o trânsito, a manifestação é das mais pacíficas e ordeiras, com um clima, eu diria, mesmo familiar. Sem baderna, sem quebradeira, sem maconheiro, sem vadias, sem depredação de patrimônio público ou privado, sem ninguém cagando na bandeira nem enfiando crucifixo no cu. Como é marca registrada e patenteada da esquerdalha.
Ontem, dia em que dou aula até às 12h30 e só retorno às 14h30, resolvi ficar direto na escola e dar uma camelada pelo Centro.
Gastei alguns minutos conversando com alguns manifestantes, em sua maioria, idosos já aposentados, dado o horário comercial do dia; segundo um deles, à noite, a aglomeração ganhava corpo, com a chegada de pessoas que deixaram seus expedientes.
Disse-lhes da minha admiração pelo que estão a fazer, de não desistirem de seus ideais mesmo na idade que têm, quando eles poderiam ficar o dia inteiro com a bunda no sofá ou jogando dominó na praça, umas vez que já estão com a vida ganha, com o burro na sombra; sombra conquistada arduamente, com trabalho, e não vivendo como parasitas do suor alheio, como, de novo, é uma das marcas registradas da esquerda.
Agradeci-lhes pelo que estão fazendo não só por eles, mas por todos os outros que não podem ou não têm coragem para estar ali, e que também não votaram pela volta da ORCRIM do PT.
Perguntei-lhes, então, sobre o prosseguimento do movimento, sobre os próximos passos, agora que, ao meu entender, os militares nem cagaram nem saíram detrás da moita, nem atestaram a confiabilidade das urnas nem a contestaram de forma categórica.
Ele disse que continuarão por ali, a aguardar com paciência e muita fé que o PL utilize o relatório das Forças Armadas para entrar com alguma representação, algum pedido de anulação, ou de um terceiro turno. Aguardar…
Feito eu disse, é um pessoal pacífico, cordato, cristão em sua maioria, suponho, que é a religião mais amansadora que há. Não acreditam na força, na violência; sim na justiça. Por isso, perderão. Perderemos.
Em um pais "descoberto" por bandidos, colonizado por bandidos e, até hoje, estruturado e legislado por eles, e ainda mais numa situação crítica como a atual, a força bruta, o abandono temporário da civilidade, seria a única e pequena chance que teríamos. Seria...
Antes de ir embora, não resisti. Pedi a um senhor que me fotografasse em frente a uma enorme bandeira do Brasil estendida entre duas árvores na calçada. Eu, de camiseta verde. Oliva, é claro.
Porque provocação pouca é bobagem!!! Roa-se de inveja, Abujamra!
O Azarão com o lábaro estrelado às costas!!! Revire-se no túmulo, Ayrton Senna do Brasil!!!