Hoje pela manhã, a caminho da padaria, intrigou-me uma estranha arrumação sob uma rosa e florida quaresmeira, colocada junto ao seu tronco, circulada em vermelho na foto abaixo.
Chegando mais perto, a exata natureza dos objetos foi revelada, mas nem de longe o propósito com o qual foram ali depositados, à sombra rosa da quaresmeira. Uma garrafa de vinho aberta e cheia até o gargalo, aparentemente intocada em seu conteúdo, e, ao lado dela, duas rosas, uma branca e outra que da mesma cor nascera, mas que fora corada de azul por imersão de seu talo em água com anilina.
Pesquisei sobre o vinho. Arte Noble. Chileno. Cujo rótulo mais barato, o cabernet sauvignon não sai por menos que cinquenta reais.
Só uma explicação me ocorreu na hora, e é a mesma que se mantém até agora : um despacho de macumba. Tipo de trabalho muito comum nas ruas do bairro há quarenta ou mais anos, principalmente na virada da sexta-feira para o sábado.
Mas onde estava a farofa amarela com dendê? As velas vermelhas e/ou pretas? A aguardente das brabas para a entidade dar uma beiçada?
Que novidade era aquela de vinho chique e rosas coloridas?
De novo, uma só explicação : gourmetizaram a macumba! 
Pããããããããta que o pariu!!!!! É a oferenda Masterchef! O ebó com estrela Michelin! É o preto velho sommelier! É o vinho Casillero del Exu!
Estão embichando até o Ogum, o Xangô, o Oxóssi e o Oxumaré!
Valham-me Zé Pelintra e Caboclo Sete Flechas!