A alma,
Não é possível domá-la.
Pôr-lhe cabresto,
Ou usá-la com moderação.
 
A alma,
Não há como adestrá-la,
Como ensiná-la a fazer as suas necessidades
Só na caixa de areia
Ou no jornal no banheirinho dos fundos.
 
Se torna-se,
A alma,
Incompatível e entrave para a vida,
Livre até do livre-arbítrio de quem a possui e carrega,
Inútil tentar uma conciliação,
Uma guarda compartilhada do corpo :
A alma não conhece nem trabalha com meios-termos.
 
Castramo-nos da alma,
Então.
 
E passamos os restos de nossos dias,
Gatos gordos e caseiros,
Os desejos em lockdown,
Sonhando com poentes púrpuras,
Com a Lua Cheia lactante e eriçada,
Com os telhados no cio :
Com as bolas que nos foram arrancadas.