Muito do desejo que temos
Vem do desejo que têm por nós.
Há tempos olhei fundo para o abismo,
Ele olhou para o fundo de mim
E disse
- talvez invejoso de minha abissalidade - :
Quero-te.
Desde então
Levo o abismo na conversa
Faço o maior cu doce :
Não tenho força de vontade
Para afastar-me de suas beiras,
De seus cheiros.
Tampouco coragem de me lançar às suas entranhas
À sua primordialidade
À sua gosma definitiva.