sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Luas Ladras De Bagdá

Os cafés da Tia Nastácia,
As siestas em tapetes voadores
Por entre os minaretes de Bagdá
(espantando as garças que voam e me fazem chorar);
O vinho de algas azuis
Tomada à beira de uma Atlântida
Ainda não submersa;
Os pergaminhos roubados
E os mapas-múndi de nossos mundos
Esboçados à magna luz do olhar de Alexandre
Em sua fênix-biblioteca,
Nossas meias-noites em carruagens de abóboras.

Tão pequena a probabilidade de voltar a acontecer
Que começo a considerar a grande probabilidade
De nunca ter acontecido.
De ter sido mera travessura de Sandman
E seu embornal de areia,
Poeira colhida do teu Mar da Tranquilidade.
Traquinagem de João Pestana
Que invadiu nosso Sonhar
Sem escrúpulo, crápula
Sem pestanejar.

Se disseres que não,
Que nada aconteceu,
Que tudo é novidade para ti,
Ficarei tranquilo em vida,
Mas angustiadíssimo na hora da morte
(por não ter velejado no mercúrio líquido do teu ventre prateado, pulsante e maravilhosamente sem som).

Se disseres que sim,
Que igualmente tudo é boa memória para ti,
E certeza de impossibilidade futura,
Viverei atormentado
Mas estarei sereno na hora da morte
(feito astronauta que arranca voluntariamente o capacete e sucumbe feliz sem ar nas tuas invaginações, na tua cratera mais acolhedora).

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Pênis de Japonês o Elimina das Finais do Salto Com Vara. Fui Traído Pela Minha Própria Vara, desabafou.

Japonês praticar salto com vara é pedir pra ser zoado. Não dá pra resistir. É piada pronta. Japonês treinar salto com vara é implorar para virar alvo de chacotas e zombarias. É pregar por conta própria um papel na costas escrito Me chute, Me passe a mão. É masoquismo. É autobullying.
Japonês não tem vara, tem, no máximo, hashi, que são aqueles pauzinhos de comer sushi. A varinha do japonês mal chega pra comer o peixe cru da japonesa e o cara quer ganhar medalha em salto com vara.
Mas há os persistentes - marca, aliás, do oriental. Há os que não aceitam conformados a predestinação e o determinismo biológico, há os que não se rendem aos limites impostos pela natureza, e, em nobres e inspiradores exemplos de força de vontade e da superação nascida da perseverança, os rompem, os ultrapassam.
É o caso do atleta varudo japonês Ogita Hiroki, de 28 anos - uma espécie de Kid Bengala nipônico, com seus, talvez, sete ou oito centímetros de piroca. Ogita Hiroki desafiou todos os prognósticos em contrário, desmontou paradigmas e disputou nesta segunda-feira (15/08) uma vaga nas finais olímpicas do salto com vara. Um herói nacional, sem dúvida.
Só que na hora H, na hora da onça beber água, na hora do sapeca iá-iá, o japonês se fodeu. Foi traído e desclassificado pela própria vara.
Acontece que três varas estão em jogo no salto com vara masculino. Três varas sobre as quais o atleta deve exercer completo domínio e imprimir perfeita sincronia. Não à toa, é considerada a modalidade mais técnica do atletismo.
A primeira é a vara em si, aquele varão, composto por camadas de fibra de carbono e fibra de vidro, que o atleta usa à guisa de uma alavanca para se alçar às alturas do Olimpo e tentar passar por sobre uma segunda vara, o sarrafo, aquela barra vertical que estabelece a altura a ser superada, e que, em hipótese alguma, pode ser tocada, sequer triscada, qualquer contato, de qualquer parte do corpo do atleta, por mais tênue e leve, derruba o sarrafo, o salto é invalidado e o atleta, eliminado.
Pois o atleta japonês coordenou com maestria e passou célere e incólume pelas duas varas. Alavancou-se do chão com coreografados força e ângulo de subida, subiu reto, impecável, um falcão peregrino, transpôs o sarrafo e curvou o corpo em medido semicírculo para evitá-lo. Mas se esqueceu da supracitada e ainda não esclarecida terceira vara.
Ogita Hiroki esqueceu-se de coordenar a terceira vara do jogo, a sua própria vara, a benga. O corpo passou rente ao sarrafo, já caindo para a classificação, mas aí a piroca do japonês enroscou no sarrafo. Foi ela, a piroquinha do japonês, e não um braço, um joelho ou um pé, que tocou e derrubou o sarrafo. Desclassificado. Eliminado pela própria piroca.
Taí a benga do japonês enroscando no sarrafo. Piroquinha de anjinho barroco. Do Davi, de Michelângelo. É isso o que eu chamo de um azar do caralho! Pãããããããta que o pariu!!!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

XV de Agosto (II)

Hoje
O dia veio com sintomas de extinção em massa.
O vento correu
Seco, afiado e castanho
Roubando a umidade
Dos olhos
Das narinas
Das vulvas.
Motosserrando o verde
E os ipês amarelos,
Soterrando os vivos
Do pó dos que dele vieram
E que a ele já retornaram
(engana-se quem pensa se tratar de queimada de cana-de-açúcar),
Abastardando o azul do céu.
As nuvens coraram-se de açafrão
De gás mostarda
Para sufocar o sol
Para asfixiar a luz
Para criar ocre mortalha
Sépia sepulcro.
Mas o cio resiste
O verde, fotossíntese
O sol ainda arrota dinamite.
A vida,
Capenga,
Maratonista aleijado
Que manca sobre próteses que lhe causam escaras nos cotocos dos membros amputados,
Insiste em nos cuspir à cara seu degradante espetáculo
E nos sorri,
Canalha, filha da puta,
Vencedora vencida, 
De seu pódio sem concorrentes,
Sem outras bandeiras
Nem hinos de outras nações. 
(e um pterodáctilo, aproveitando-se da minha distração, do meu porre, achega-se de mansinho e faz seu ninho no velho boldo de minha sacada)

XV de Agosto

Despertemo-nos! 
E aos outros, também!
Despertemo-nos!
E a todos os de nossa ninhada!
É instante de recontar a história,
De alavancar nossos mortos do túmulo, portanto.
Arranquemo-nos de nossas clausuras,
Coloquemo-nos em ruínas,
E também aos nossos telhados,
Para que a tempestade convença à consciência
Os ainda reticentes em seus sonos :
Nem um único ouvido surdo deve sobrar.
A história, é necessário, seja redita, reouvida
E os mortos, incomodados,
Espezinhados em seus repousos de órbitas despalpebradas.
A história,
A bem da sanidade,
Seja esquecida, depois;
E os mortos, vital, reocupem-se, ao término, de suas putrefações;
Só depois, porém.
De todos, assim, toda a atenção!
E, de cada qual, uns poucos cobres para a cerveja
- nosso veneno espumante -,
Para a cerveja, uns poucos cobres devem chegar,
Que é comum do homem os seus venenos custarem pouco,
Quem já viu, entretanto, uma cura a preço módico?
Sem lástimas : é do homem, é do homem!
Tomemos, pois, gelado, o nosso veneno
Que, atenuante, é de mais agrado ao paladar.
Às crianças, mantê-las de ouvidos despertos,
Qualquer beberagem de cafeína e noz de cola,
Aos mortos, nada
Que de nada precisam, os mortos.
Acomodemo-nos em nossas cadeiras
(e há assentos para todos, com o nome de cada um em seus espaldares, a exemplo das lápides)
Para mais uma coletânea de atrocidades,
De pecados a ser justificados.
Para impulsionar a roda de mais um ciclo de sofrimentos:
Purguemo-nos em mais um XV de Agosto.

domingo, 14 de agosto de 2016

sábado, 13 de agosto de 2016

Não Tem Cura Pra Puta

A cachaça não é apenas mais uma bebida alcoólica, uma mera aguardente de cana-de-açúcar. A cachaça é uma instituição nacional. Deveria figurar ao lado dos símbolos nacionais, a saber : a bandeira, as armas, o selo e o hino. É a alma tupiniquim tridestilada em alambiques de cobre e envelhecida em barris de pau-brasil.
A cachaça é bem inalienável do Patrimônio Cultural Imaterial do país. Faz parte do folclore. Abrilhanta as letras e as canções de nossa MPB. Desequilibra quem a toma, mas equilibra a balança comercial da nação - é um dos nossos principais produtos de exportação.
Não lhe bastassem todos esses atributos e relevâncias, algumas cachaças guardam em si também propriedades medicinais e curativas, sobretudo para os males da alma, do coração e do bom e velho chifre. É água que se passarinho bebesse, cantaria muito melhor e feliz. 
É uma verdadeira panaceia. Deveria constar dos compêndios da farmacopeia brasileira, ao lado do boldo, da carqueja, do capim santo, da babosa, do barbatimão, do guaco e do agrião, do quebra-pedra e da catuaba.
Cura desde a dor no velho chifre até rosca frouxa, passando por acalmar sogra e corno brabos.
Presta-se também, é claro, a levantar pau mole e encharcar buceta seca 
Também é eficiente beberagem contra a feiura e a baranguice. A cachaça opera milagres na supervalorizada área da estética e do embelezamento.
Mas sempre existem os oportunistas, os picaretas de plantão, os aproveitadores da boa-fé do povão. Charlatães que, valendo-se da credibilidade da cachaça junto à população, lançam produtos fraudulentos no mercado, falsos paregóricos, meros placebos que não se prestam nem a paliativos para a moléstia à qual dizem se destinar. Até porque, para certos males, não há cura. Encontrei, dia desses, dando uma flanada pela net, um desses falso elixires.
Se você tem namorada, esposa ou outras que tais com o famoso calor na bacurinha e, de repente, viu nessa cachaça uma esperança para os seus problemas, a perca - a esperança - de vez, meu amigo. Não existe ex-puta, não há cura para o furor uterino e bucetal. Até porque uma única vacina jamais seria capaz de abarcar todos os tipos de puta que existem. Puta tem mais tipos e mais cepas que o vírus da dengue e da influenza. Tem a puta psiquiatra (aquela que dá com hora marcada), a puta freira (aquela que dá aos pobres), a puta bavária (a preferida dos amigos), a puta Casas Bahia (te olha e diz : quer pagar quanto?), a puta 11 (vai um atrás do outro), a puta coração de mãe (sempre cabe mais um), a puta MST (não pode ver um pau que já quer armar a barraca e assentar), puta Skol (aquela que dá o redondo), a puta duvido (duvido que alguém pague para comer isso) etc etc. E a pior das putas : a puta filha da puta, aquela que dá pra todo mundo menos pra você. Pããããta que o pariu!!! Literalmente.

em tempo : as propriedades esculápicas da cachaça são cantadas em verso e prosa pelo cancioneiro nacional desde as priscas eras. Uma bem-humorada canção a respeito é Água Benta, composição e interpretação de ninguém mais ninguém menos que ele, o maior catedrático do assunto que o Brasil já teve : Mussum, o Mussunzis, com a luxuosa participação de Alcione, a Marrom, outra grande conhecedora do tema.
Água Benta
(Mussum)
Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer
Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer

Eu já vinha bem cansado, quando alguém me avisou
no final daquela estrada tem água que cura desamor
lavei minha alma, refresquei meu coração
e aprendi que tendo calma nunca vou sofrer desilusão

Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer
Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer

Agradeço a vós, que me deu a indicação
Hoje eu tenho meu corpo fechado e purificado de amor e paixão
Se não fosse a água, que curou a mágoa do meu coração
minha vida era tristeza e eu morreria de tanta paixão

Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer
Eu peguei, eu peguei para beber
a água benta que faz a gente esquecer.

para ouvir Água Benta, é só clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

É a Podridão, Meu Velho (11)

E olha que eu trapaceei,
Dormi a tarde inteira
Para que a madrugada pensasse
Que ainda sou viril.
E olha que rondei a cidade
A me procurar.
E olha que pus o arado de diamante na vitrola
Para reaerar e adubar
Os sulcos dos velhos vinis
(Pus Chico, pus Nélson, pus Ney, pus Adoniran, pus Raul, pus o Rei).
E olha que escavei as velhas gavetas
As velhas cartas
As velhas fotografias
Reli os velhos gibis.
E olha que tomei rum
Puta que o pariu se tomei rum!!!
O meu superamendoim,
O meu espinafre,
O meu soro do supersoldado,
A minha picada de aranha radiativa,
A minha explosão gama,
O meu mjolnir.
E nada dos ossos soldarem,
Das asas reinflarem.
E olha que eu esperei,
Parado,
Pregado na pedra do porto...
E nada do meu galeão-fantasma,
Do meu holandês voador
Atracar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

RECL - AMAVA

Do blog http://p-o-e-s-i-a.blogspot.com.br/ - muito bom, Gianndre, muito bom.

RECL - AMAVA
Ela sempre reclamava
ou do amor que era demasiado
ou do amor que faltava,
engraçado é que me tinha ao lado
e sorria.
Aquela santidade nunca convenceu.

Eis que num belo dia,
de certo por falta de poesia
disse-lhe,
"o problema não é você, sou eu".

Ela já irritadiça com meus dilemas,
disse-me
"de agora em diante
ainda que o amor novamente se levante
é cada um com seus problemas".

Eu, que de besta tenho tudo
fui desbravar o mundo,
fui raso, fui fundo, fui leve.

Eis que num belo dia
em vários, para não mentir,
retorna a maldita poesia
como quem nada quer
fazendo-me correr
atrás daquela mulher.

Ela, sempre no seu orgulho
agora vem e me diz
"cada um com seus poemas".

Atente-se bela dama,
Leminski também dizia

"Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima".

digo eu nesse instante
quem não valoriza
a quem te ama
sente um dia a vida vazia.
 
Raiva ou rima
de agora em diante?

domingo, 7 de agosto de 2016

Escola Sem Partido, Já (2)

Estudantes de nosso Brasil dantes mais varonil, sobretudo os do ensino médio, atentem-se : estão querendo lavar suas cabeças, estão querendo aliciá-los para o exército vermelho de vagabundos que sangra os erários desse país, que nada produzem, que vivem às custas dos impostos do verdadeiro trabalhador, do pagador de impostos.
A canalhada vermelha vagabunda se disfarça de várias formas : de movimentos sociais, de ONGs, de sindicatos, de partidos políticos e, sim, de professores. 
Atente-se, jovem formando, querem seu cérebro moldável e ingênuo para formatá-lo, para chipá-lo.
Eu, na minha época de estudante de ensino médio, isso em inícios da década de 80, já senti esse tipo de assédio político e doutrinador. De um professor de História, um barbudo boa-pinta por quem as menininhas se molhavam, um cara metido a cool, frequentador do boêmio bairro paulistano da Vila Madalena, conhecia músicos e artistas e outras merdas. Esse cara queria porque queria converter todo mundo pro PT, pedia pra gente falar bem do Lula em casa, para que nossos pais votassem no canalha etc.
Isso em 1982, 1983. Imaginem, então, hoje. Hoje, os missionários do PT, as Testemunhas do Lula, estão exponencialmente mais abusados. Vejo isso todos os dias na escola em que leciono.
Leiam com atenção os seis itens a seguir, que são os deveres do professor imparcial, do professor que informa sobre todos os lados da moeda sem demonstrar pendor nem tampouco predileção por nenhum deles, que informa friamente sobre as principais versões, opiniões (não a dele) e perspectivas sobre o assunto e deixa que o aluno decida por si. 
Se algum professor violar algum desses itens, se tentar fazer com que você mude de opinião política, se disser que seu candidato não presta, denuncie, converse com seu diretor, seu coordenador, e, se não adiantar, recorra à Diretoria de Ensino de sua região, na figura do Supervisor de Ensino. Não se deixem enganar, não se deixem seduzir pela fala mansa desse povo, que posa de muito democrata e tudo, mas que são incapazes de aceitar qualquer opinião que divirja da deles. Cuidado com os formados nas tais "ciências humanas", nos cupinchas de Marx, sobretudo as sociólogas e as pedagogas.
Para mais informação sobre o projeto Escola Sem Partido:

"Em uma sala de aula, a palavra é do professor, e os estudantes estão condenados ao silêncio. Impõem as circunstâncias que os alunos sejam obrigados a seguir os cursos de um professor, tendo em vista a futura carreira; e que ninguém dos presentes a uma sala de aula possa criticar o mestre. É imperdoável a um professor valer-se dessa situação para buscar incutir em seus discípulos as suas próprias concepções políticas, em vez de lhes ser útil, como é de seu dever, através da transmissão de conhecimento e de experiência cientifica."
                                                                                                               Max Weber