Esqueçam seus copos americanos Nadir Figueiredo, oh, bebedores das antigas!!! Idem para os copos de requeijão!!! Ibidem para as canecas de alumínio com os emblemas de seus times!!!
Cerveja não é para se tomar em qualquer copo. Assim como toda panela tem a sua tampa e toda corda, a sua caçamba, não é qualquer copo que pode conter qualquer cerveja; não é qualquer cerveja que pode ser acondicionada em qualquer copo. Há de se adequar o conteúdo ao continente; e vice-versa.
Preparem-se, oh, cervejeiros das antigas, que aqui vem mais uma da série Cerveja Já Foi Coisa de Macho. Mais uma peça do intrincado plano para a destruição do macho das antigas, para o embichamento do planeta. O macho das antigas é indestrutível, invulnerável, se confrontado diretamente. O que fazem, então, e vem fazendo há algum tempo, as insidiosas mentes que querem o nosso fim? Começam a minar, a solapar, a desmoralizar e a afrescalhar os principais símbolos dos machos das antigas. 
Foi assim com a barba. Hoje, em cada esquina, há uma barber shop, uma boutique da barba; hoje há mais produtos cosméticos para a barba do "novo macho" do que para os cabelos da mulherada. É a barba gourmet.
O mesmo vem se dando com a cerveja, cuja imagem vem sendo, paulatinamente, desvinculada daquele bebedor de buteco, daquele tiozão de churrasco, e sendo associada a "degustadores", a gente que faz biquinho pra dar um golinho. Imagina se um cara desse cai de boca num bucetão... Não se pode destruir diretamente o macho das antigas? Roubem-lhe, pois, os seus símbolos, que ele ruirá na sequência. São sub-reptícias e covardes, essas guerras ideológicas.
Não bastasse a existência de uma Escala Frescurométrica de Cerveja, a escala Michael Jackson, aquela que apregoa que cerveja não é para se tomar estupidamente gelada, que cada tipo de cerveja tem sua temperatura ideal de degustação, com o bônus de que, depois de aferir a temperatura de sua cerveja, o degustador pode enfiar o termômetro no cu, como já bem retratei aqui, na Cerveja-Feira (44), descobri agora que cada tipo de cerveja tem também o seu copo ideal para ser apreciada.
Segundo as gazelas cervejeiras, um copo inadequado pode depreciar e pôr a perder as qualidades organolépticas de uma boa cerveja, deixar esvanecer seus atributos sensoriais; o oposto também é válido, um copo escolhido com precisão pode valorizar, dar um upgrade no bouquet e no terroir da cerveja. A altura, o formato, o diâmetro da boca do copo e mesmo o material com o qual ele foi confeccionado podem concentrar e maximar o aroma, a carbonatação, a coloração e o retrogosto da cerveja, que é o que os degustadores mais apreciam na cerveja, o retrogosto.
Abaixo um pequeno exemplo de mais essa boiolagem.


E essa é apenas uma pequena lista, tem muito mais ainda, uma variedade quase infinita de tipos de copos, quase tão infinita quanto a "sofisticação" dos degustadores.


Eu não queria falar, mas agora vou dizer : em público, na presença de outros "entendidos", num pub, num bistrô ou num lounge bar, até acredito que os degustadores sigam tais parâmetros, que beberiquem suas cervejas nos ideais copos. Mas, na intimidade, apenas entre quatro paredes, eu tenho certeza, os copinhos dos degustadores aceitam qualquer cerveja, qualquer long neck ou ampola. Preferencialmente, uma Brahma casco escuro!!! 
Pããããããta que o pariu!!!!!!
Eu, de minha parte, logo mais à noite, entornarei minha Lokal. Em copo de geleia. Melhor : de extrato de tomate!