És a minha palavra-curinga,
Quando não estou com meu dicionário à mão
E a minha memória para sinônimos e rimas se esquece de mim.
És meu adjetivo pátrio,
Me salvas da minha incapacidade de sorrir elogios
E da minha naturalidade em cuspir críticas e vitupérios.
És minha partícula apassivadora,
Me resgatas de minha própria ira contida e fermentada
E me serves chá de cidreira com vodka para que eu tenha uma noite de insônia mais serena.
És meu verbo vicário,
Quando tenho que me satisfazer em outro corpo
Que não o teu.
4 Comentários
Belo poema vicário.
ResponderExcluirLi esse texto agora pouco, e lembrei do senhor, segura ai: http://aprendendoaensinarensinandoaaprender.blogspot.com/2019/04/shazam-de-moacyr-scliar.html
ResponderExcluirEu li o texto e gostei bastante. O Scliar era um craque, de fato. Mas o que no texto lhe fez lembrar de mim?
ExcluirAdmiro sua imensa capacidade de criar belos poemas como este. Você deveria fazer um livro eletrônico com sua produção poética (e outros livros com suas outras vertentes literárias). Creio que o Scant manja isso. Mas, juro, tive de olhar no dicionário o significado da palavra "vicário".
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