Molde de silicone na arcada dentária superior
(contra o bruxismo e outras assombrações e terrores noturnos);
Venda de espesso e aveludado preto nos olhos
(contra a fotofobia, e na falta de hermético esquife de ébano de breu impenetrável das florestas da Transilvânia);
Protetores auriculares de espuma expansível,
Cérberos a guardar a entrada dos meus tímpanos
(contra o barulho dos alto-falantes dos carros dos idiotas, do choro do filho do vizinho, da cantoria dos bêbados, da orgia dos gatos).

Nada falo. Nada vejo. Nada escuto.

Ainda assim, não durmo.
Ainda assim,
O mundo insiste em passar sob a minha janela.
Em serenata,
Em procissão,
Em trio elétrico.