Quando um paciente,
Um ex-vivente,
Depois de anos a respirar e a pulsar por aparelhos,
A mijar e a cagar por sondas e canaletas,
Depois de safras e mais safras em estado vegetativo,
Finalmente,
Obtém o perdão de seu bondoso Deus
E é agraciado com a morte cerebral,
Chamam o dr. House para atestar o seu óbito
E sua passagem é publicada no Diário Oficial.

Quando decretar, então,
A bem da verossimilhança, da isonomia e da piedade,
A morte de um blog
Que há anos é mantido vivo 
Apenas pelo hábito e pelo vício?
Que emana apenas a luz débil do velório de estrelas há muito extintas e exumadas de seus buracos negros?
Quando chamar o dr. House
Para desligar o roteador e o wifi
E registrar a hora da morte de um blog
Que,
Hoje,
Constatei,
Acaba de sofrer morte cerebral?
Que só recebe as visitas das enfermeiras e dos faxineiros de plantão?