A minha suposta sovinice já é lendária tanto entre meus familiares quanto entre meus poucos e seletos amigos, mas é pura maledicência que eu seja pão-duro, canguinha, mão de vaca ou que tenha um escorpião no bolso. 
A questão é que gasto (bem) menos que a média das pessoas com quem convivo, e não que me prive de algo que realmente eu precise, nada disso. É que eu não me deixo levar por rótulos coloridos e cheios de design, não me deixo influenciar por propagandas pirotécnicas e fartas de bundas e peitos (gosto de ver as bundas e peitos, mas eles não me convencem a comprar nada), não me impressiono com o que está na moda e nem quero nada em grandes quantidades. Não pago caro por um produto se há outro mais barato que me tenha a mesma função e serventia. Não é questão de avareza, é de bom senso, de inteligência. Sempre que possível, só compro mesmo do mais barato. E ponto. E, muitas vezes, o mais barato tem qualidade até superior.
É o caso da cerveja. Nunca tive frescura pra essa coisa de marca de cerveja. Primeiro que não tenho paladar refinado a ponto de diferenciar o tipo de lúpulo, malte e etc (e desconfio grandemente de quem diz que o tem); segundo que você toma a cerveja agora e, meia hora depois, já a está mijando; terceiro que o ramo cervejeiro é dominado por grandes multinacionais que, obviamente, têm interesse em manter a qualidade do seu produto seja em que país atue e que marca ela represente (está tudo padronizado); por último que hoje não tem mais isso de fórmula secreta, qualquer químico meia-boca com um espectofotômetro ou cromatógrafo a gás desvenda a composição de qualquer produto.
O grande diferencial de uma cerveja para outra é o que eu já disse : é o rótulo, é a propaganda direcionada para esse ou aquele público-alvo, são as "celebridades" que aparecem dizendo que as tomam, são os eventos que cada marca patrocina etc. O líquido é praticamente o mesmo. Por isso, em matéria de cerveja não há exceção, eu só compro da mais barata que eu achar. Tanto que mantenho a seção Boa e Barata aqui no blog desde o seu ínicio, onde dou dicas de cervejas boas e baratas, todas devidamente degustadas por mim.
Essa semana, olhando um desses folhetos de supermercado que chutamos pelo chão, vi uma oferta de cerveja na rede de mercados Assaí, cerveja Colônia por R$ 0,72 a latinha. Imediatamente, comuniquei minha intenção de adquirir tal pechincha à minha esposa, que torceu o nariz para a minha descoberta, deixando evidente que ela não tomaria Colônia. A preferida dela é a Kaiser, sempre foi, e depois que a Kaiser recebeu o selo de qualidade do ITQI (International Taste & Quality Institute) de Bruxelas, Bélgica, ela vive me tirando sarro e se vangloriando de seu paladar.
Comprei a cerveja barata, é claro. E não é que no alto da latinha da Colônia, bem pequenininho, quase nem vi, está também lá o tal do selo do ITQI?  Há!Há!Há!Há! A Colônia - fabricada no RS e de propriedade, se não me engano, do apresentador Ratinho - tem qualidade reconhecida internacionalmente pelo ITQI, que é uma organização independente composta por chefes e sommeliers cujo objetivo é promover testes e a degustação de alimentos e bebidas superiores. A Colônia, depois pesquisei no site do ITQI, foi premiada por dois anos consecutivos, 2007 e 2008. E o que é melhor, bem melhor : por setenta e dois centavos a latinha.
Que se fodam as Bohêmias, as Originais, as Skóis, as Brahmas e que tais. Que se fodam os manés que pagam mais caro pela mesma merda que eu. Daqui pra frente, eu só tomo Colônia. Quer dizer, até que se mantenha a oferta no Assaí ou apareça marca mais barata.