Meu coração
Sempre foi ridículo,
Que é a função precípua
De todo coração que se preze
(mais ainda a dos desprezados);
A segunda,
Meu coração
Sempre foi ridículo
Sempre dado
A encenar
Exageros
Exarcebos
Dramalhões
Óperas-bufas
Peças burlescas
Novelas mexicanas
(tão canastrão que chegava a fingir que era dor, a dor que deveras o fustigava, o afligia).
Meu coração
Sempre foi ridículo
Sempre dado
(desafinado e desavergonhado)
A cantar
Fados
Boleros
Tangos
E mariachis.
Hoje,
No entanto,
Está mudo
Recolhido, recluso, recatado
Com pânico do palco
Com fobia da vaia,
Que é a ovação, o aplauso supremo a um coração :
Muito mais ridículo,
Por conseguinte.

5 Comentários
Poesia é a ventania. Estás vivo, cabra?
ResponderExcluirQuem és, cabra?
ExcluirLembrei do clipe da música Who's Gonna Save My Soul por Gnarls Barkley.
ResponderExcluirVocê precisa ter um pouco de vergonha na cara e publicar um e-book ou livro impresso com seus poemas, pois são excelentes.
ResponderExcluirRapaz, só de pensar já dá uma preguiça....
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