A esposa, recém-casada, cheia de amor (e de outras coisas muito mais interessantes) para dar, estava a estranhar aquela intensificação dos hábitos religiosos do marido. Ele, que nunca fora dos mais devotos, que antes só ia à igreja em batizados e casamentos de amigos e conhecidos, passara a frequentar a morada de Deus de duas a três vezes por semana; às vezes até mais. Paradoxalmente, no quarto do casal, na intimidade da alcova, ele não estava a se mostrar lá muito católico para com suas obrigações conjugais.
Nesse mato tem cachorro, logo pensou a esposinha negligenciada pelo homem que jurou chamar de seu, pela espada do seu salvador. Ou uma cachorra, uma cadela. Uma beata fogosa, talvez? Exímia em assoprar o famoso apito de chamar anjo, uma hábil flauteadora da trombeta de Jericó?
Apertou o marido e ele entregou a rapadura. Ou melhor : entregou que já estava a entregar a rapadura fazia era tempo. E não havia nenhuma cachorra no cio, nenhuma carola do cu quente. Quem estava a ungir e a trazer iluminação e conforto espiritual ao rapaz era o padre. O padre Júlio Cezar Souza Cavalcante, da Igreja Matriz Nossa Senhora de Candelária, em Natal (RN), o mesmo sacerdote que celebrara, dias antes, o enlace dos arrulhantes pombinhos.
Ou seja, para a noiva, ele deu a aliança; para o padre, o anel, o famoso anel de couro.
Pããããããããta que o pariu!!!!
Porém, apenas a admissão das puladas de cerca e das queimações de hóstia do marido não foram suficientes para aplacar os ímpetos de vingança da chifruda. Mulher vingativa, só por Deus. A moça quis também extrair uma confissão do padre, para levá-la, depois, aos seus superiores eclesiásticos, em busca de justiça divina. Ou seja, já que o sacerdote tanto pusera no cu do marido dela, ela também quis pôr no toba do pároco. É a lei do Velho Testamento : olho do cu por olho do cu, pregas por pregas.
A agir feito Judas, e a cuspir no prato em que comera, ou em que fora comido, vai saber, o rapaz armou um encontro a três, do casal com o padre, para que todas as cartas fossem postas à mesa. O que o padre não sabia é que a conversa estava a ser gravada pela esposa.
Diante do padre, a mulher falou que já sabia da putaria e pediu a anulação do casamento. Na tentativa de acalmar a moça, o padre disse : “Foi uma fraqueza. Nós nos confessamos e prometemos que não ia ter mais, em respeito até a você”. E garantiu que ele e o marido dela estiveram juntos poucas vezes, "umas duas ou três vezes", e que só rolara sexo oral, a famosa chupetinha, nada mais.
O homem desmentiu o padre :  “Foram várias vezes, durante mais de um ano. Foi de março de 2010 a julho de 2012”, e disse também que houvera sexo anal entre os dois, que a cobra entrara, sim, no buraco do tatu, fato do qual o sacerdote alegou não se lembrar, e reafirmou que só houvera glub-glub nos encontros dos dois, maneira carinhosa e mimosa pela qual se referiu aos boquetes trocados entre eles.
Como assim o cara não se lembra se deu ou não a bunda, ou se comeu ou não? Afinal, não foi revelado no áudio quem era o ativo ou o passivo, ou se a brincadeira toda se dava na base da oração de São Francisco, é dando que se recebe, o famoso troca-troca.
“E ainda assim o senhor aceitou testemunhar o nosso casamento?", lamentou a esposa. “Eu tenho o maior carinho e o maior respeito por vocês”, respondeu padre Júlio. Com certeza tem, principalmente pelo noivo.
O padre disse que depois do acontecido buscara uma terapia de conversão e nunca mais fizera sexo com outro homem, e que tinha certeza de que o mesmo havia se dado com o marido da reclamante, de quem ainda era o confessor. Mais uma vez, o rapaz desmentiu o padre : “Fiz várias vezes e não me confessava”, contou.
“Não me procurava na cama, mas procurava homens”, contou a mulher. Segundo ela, “era tudo premeditado, pois ele já fazia em locais perto da Catedral, como saunas e cinemas pornô, para sair correndo e se confessar”.
A gravação chegou à Arquidiocese de Natal e, então, a casa (do Senhor) caiu para o padre Júlio. Em nota oficial, a Arquidiocese comunicou o afastamento do padre de suas atividades até que o caso seja apurado e as devidas providências sejam tomadas. Ao fim da nota, a Arquidiocese diz : "Rogamos ao Bom Deus que tudo seja esclarecido e, para o bem do povo de Deus, possa reinar a paz nos corações".
Padre Júlio Cezar Souza Cavalcante