O suplício, a mortificação e o flagelo são os principais agentes de penitência e as mais bem pavimentadas vias para a absolvição do Catolicismo. Uma pesada cruz de culpa e consumição faz com que o sujeito fique bem aos olhos do Criador e garante a sua Minha Casa, Meu Além Vida no condomínio fechado do Céu.
Cristo se deixou açoitar, chicotear, fustigar por lanças romanas e ser pregado à cruz para redimir os pecados da humanidade. Ao festival de pancadaria e bordoadas desferidas contra Cristo, dá-se o nome de a Paixão de Cristo. O Filho do Homem (que é Ele mesmo) se deixou martirizar e morrer por amor aos homens. A leitura da Via Crucis é de deixar o Marquês de Sade de pau duro, ou com o cu piscando, sei lá que apito(s) o Marquês tocava.
O autoflagelo com chicotes de tiras de couro munidas de metal perfurocortante em suas extremidades não é prática incomum entre os sacerdotes católicos, quando assediados pelo Demônio e pela Tentação. O sadomasoquismo é a base da relação do católico com o mundo de desejos proibidos que o cerca e, principalmente, com aquele que o habita.
Por isso, não me causou espanto algum o caso do padre Peter Miqueli (Bronx, Nova York), que foi acusado, há coisa de dois ou três anos, de desviar fundos de sua igreja para gastá-lo com sexo sadomasoquista. À epoca, o padre foi afastado temporariamente de suas funções e deve ter tido lá que rezar umas trezentas ave-marias. Punição injusta, considero eu. 
 Padre Peter Miqueli
O sacerdote estava apenas a seguir os passos de Jesus. Estava tão-somente a vivenciar  o cruciato do Salvador, a trazer para si o calvário do Nazareno. A cada sessão de sexo sadomasoquista a que se submetia, a cada rodada de tortura, sofrimento e sevícia, o padre Miqueli estava a redimir e a purgar os seus pecados e, se não os de toda a humanidade, os de seus paroquianos com cujas doações ele pagava ao seu dominador, a quem ele chamava de "mestre" e de quem, afirmam seus acusadores, o padre chegava a beber urina feito fosse vinho litúrgico, um garotão de programa de nome Keith Crist. Isso mesmo, Crist. Pããããããta que o pariu!!!
Porém, pelo visto, nesta quinta-feira passada (09/07/20), Miqueli e Crist exageraram na penitência e o padre morreu por excesso de Pai-Nossos, Ave-Marias e Salve-rainhas. A causa da morte do padre ainda não foi confirmada, mas suspeita-se que ela esteja relacionada às práticas sadomasoquistas do homem de Deus.
Padre Miqueli cumpriu com o seu calvário, levou a cabo (e bota cabo nisso) a sua missão de vida. Assim como Cristo, morreu em agonia e êxtase; se não cruficado, ao menos empalado em grossa rola. Seguiu o exemplo dado pelo Nazareno, se deixou martirizar e morrer pelo amor aos homens. E, neste caso, como tenho certeza que diria o sumido ex-boiola, "que homem". Abaixo, Keith Crist, o instrumento de purificação do padre.
Guardo há muito tempo uma charge do Angeli. Não sei se ela foi feita inspirada neste caso, mas serve muito bem para ilustrá-lo e para fazer valer a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras; ao menos, como meu texto deixa evidente, mais do que mil de minhas palavras.
Em tempo : dizem as más-línguas que a alta cúpula do Vaticano está em nível máximo de alerta, em defcon 5. Atenta ao caso para evitar o vazamento de uma possível ressurreição. Hoje, é o terceiro dia da morte do padre e, por enquanto, está tudo nos conformes.