O cerveja-feira dessa semana vai para o sempre presente e no mais das vezes esquecido ator coadjuvante de nossas bebedeiras. Para o copiloto de nossos voos ébrios. Ele é o Robin dos nossos porres. O Sancho Pancha de nossas carraspanas. O figado!!!
Não seríamos nada sem o fígado. Não seríamos nem humanos. Seríamos seres eternamente sóbrios, tristes e ranzinzas. Nós só podemos usufruir dos prazeres de uma boa cerveja porque o fígado está lá, recolhendo e jogando nosso lixo fora. Nós ficamos com a parte boa do álcool, o fígado, com os resíduos. Morreríamos facilmente intoxicados se o fígado não transformasse o álcool em compostos menos tóxicos e facilmente elimináveis. O fígado de um homem de peso próximo aos 70 kg é capaz de metabolizar cerca de 20 ml de etanol/hora, o equivalente a uma lata de cerveja de 350 ml. Ou seja, ele vai varrendo o nosso lixo numa velocidade mais baixa do que sujamos, o que permite nos mantermos em agradável estágio de embriaguez. O fígado cuida da gente, mas não impede que fiquemos bêbados. É como se fosse uma mãe que liberasse umas doses para seus filhos. Claro que, de vez em quando, ele nos passa um sermão, um pito, a ressaca. 
Tamanha a sua importância que a sábia Natureza o fez com o mais alto poder de regeneração de todos os nossos órgãos. O fígado é o Wolverine dos órgãos. Que o diga Prometeu. Em uma semana, o fígado pode se reconstituir totalmente de lesão ou remoção cirúrgica de até dois terços de seus tecidos. Coração, rins, pulmões, ossos etc não chegam nem perto disso. O cérebro, então, nem se regenera.
Sem contar que, acebolado e ao ponto, também é um excelente tira-gosto para tomarmos com... cerveja.
Um brinde a ele, o Fígado!