Matemática e biologicamente, as chances de nascimento de uma criança do sexo feminino ou do sexo masculino - salvo as anormalidades - são rigorosamente as mesmas : 50% para cada caso.
Cada genitor, em seu respectivo gameta - óvulo ou espermatozoide -, envia metade de seu material genético à sua cria. Cada um dos 23 pares de cromossomos que nos fazem humanos se separam e apenas um filamento de cada par migra para o gameta.
Desta forma, tendo a mulher dois cromossomos do tipo X em seu 23º par (XX) -  o par que determina o sexo -, todos os óvulos por ela produzidos conterão uma única possível informação genética para o sexo da prole, o X; a mulher é o sexo dito homogamético da espécie.
Por outro lado, sendo XY a constituição cromossômica sexual do homem, ele é o sexo heterogamético da espécie, ou seja, é capaz de produzir dois tipos de informação para o sexo : 50% dos espermatozoides carregam um cromossomo X e 50%, um cromossomo Y.
Se um óvulo (sempre X) for fecundado por um espermatozoide também X, uma nova menina estará a caminho; se fecundado por um espermatozoide Y, um menino logo será dado à luz. Meio a meio de chances, portanto.
Contudo, há uma leve disparidade entre homens e mulheres na população mundial. Estimativas de 2016 mostram uma preponderância do sexo feminino. São 51,6% de mulheres contra 48,4% de homens no mundo. Colocada apenas em termos percentuais, a diferença pode parecer insignificante, mas, se posta em números absolutos, ela revela sua magnitude. Só no Brasil, são 6,3 milhões de mulheres a mais.
Nascem mais mulheres que homens? Estarão, portanto, erradas, a Biologia e a Matemática? Nunca. Elas são infalíveis. São, de fato, praticamente equânimes os números de nascimentos dos dois sexos.
Ocorre que os dados não dizem respeito aos nascidos, mas aos que estão vivos, aos sobreviventes, e as mulheres, em média, vivem um bom tanto a mais de anos que o homem. São vários os fatores que levam à menor durabilidade do macho.
Homens morrem muito mais por mortes violentas que as mulheres; seja em guerras oficiais e declaradas entre nações rivais, seja nas não declaradas guerras civis comandadas pelo crime organizado, a exemplos.
Homens morrem incomparavelmente mais em acidentes de trânsito - os acidentes de trânsito fazem mais vítimas fatais que as doenças cardíacas. Se a mulher é mesmo, ou não, menos hábil que o homem na condução de veículos, é outra questão; o fato é que acidentes de trânsito envolvendo vítimas fatais são majoritariamente protagonizados por homens. O homem é quem vai a 200, 300 km/h só para provar que é mais macho que o macho que acabou de ultrapassá-lo.
O estresse mata mais homens. O estresse de ser o provedor do lar. Mesmo que, hoje em dia, em grande parte dos países ocidentais, muitos casais dividam as responsabilidades financeiras da casa, o ônus moral, digamos assim, ainda recai mais sobre o homem. Quem será mais cobrado pela família e pela sociedade e, sobretudo, pela sogra, caso um deles perca o emprego e demore, digamos, cerca de um ano para se recolocar no mercado de trabalho? Da mulher, dirão : ela está desempregada, mas está cuidando da casa e dos filhos (ué, quer dizer que se ela estivesse empregada, seria desobrigada a isto?). E do homem, numa situação exatamente igual, serão exatamente iguais as palavras ditas sobre ele? Ainda que ele esteja mesmo, e por vezes melhor que a mulher, cuidando da casa e dos filhos?
O alcoolismo e o tabagismo - os dois maiores vícios da humanidade, depois do uso do telefone celular - também levam para a cova muito mais homens que mulheres
O homem é outro fator de risco para si próprio. Homem não se cuida, não atenta para a saúde como deveria. Mulher vai regularmente ao médico, faz papanicolau, faz exame de mama. Homem só corre pro médico se estiver a pôr sangue pra fora. E pelo pau. Se estiver sangrando pelo nariz, boca, orelha, ou qualquer outro orifício, ele também deixa pra lá.
Mas há um outro fator - sempre muito bem escondido do grande público e nunca comentado - que diminui a longevidade do macho muito mais que todos os anteriores somados : uma esposa chata. O casamento com a dona Onça, com a rádio patroa.
Estudos dinamarqueses, publicados no Journal of Epidemiology & Community Health, concluíram que os homens correm mais risco de morte prematura quando são frequentemente importunados pelas esposas (relações estressantes) ou outros entes queridos. 
De acordo com este estudo realizado pela Universidade de Copenhagen, os homens são mais propensos a morrer por causa de um casamento estressante. Ainda segundo os dados, as mulheres parecem estar imunes a este problema. Maridos chatos e reclamões não têm um impacto negativo na saúde das mulheres. Já os homens, a análise dos dados ressalta, têm 2,5 mais probabilidades de morrer no prazo de dez anos por convivência com uma megera.
E por que homens são afetados pela chatice da cônjuge e o contrário não se dá? O mesmo estudo responde. 
Homens não desabafam com outros homens sobre as aporrinhações conjugais, não se abrem com os amigos a respeito das tiranias e dos desmandos de suas esposas. Ou por dignidade, que é própria do macho, ou porque revelar que a mulher o comanda em certas situações o diminuiria na frente dos amigos, faria com que fosse visto como um cara frouxo, fraco. O homem guarda tudo. E a alma vai sendo solapada. O estudo sugere, ainda, que as mulheres sabem disto, o que, deliberada ou inconscientemente, faz com que elas aumentem a carga de aporrinhações sobre o marido, pois têm a garantia de que eles não sairão por aí mal falando delas. Abusam de nossa dignidade.
Já a mulher não tem este problema. A mulher adora falar mal do marido pras amigas. Falar mal do marido é esporte nacional dos mais praticados. Se queixar das opressões maritais só consolida a condição de vítima da mulher frente às amigas, fortalece os laços da irmandade. Ela não é vista como alguém frágil; antes pelo contrário, como uma resiliente sofredora, uma forte. A mulher não guarda nada. Desabafa tudo. O estudo indica, também, que os homens sabem disto, o que, deliberada ou inconscientemente, faz com que eles se contenham em suas reclamações, pois sabem que elas logo sairão por aí mal falando deles. 
É a velada e cotidiana violência doméstica sofrida pelo macho. É o machocídio!
O machocídio mata muito mais que os inimigos em campos de batalha, que as colisões frontais com caminhões, que o desemprego, que o cigarro e o álcool e que o câncer de próstata juntos.
E por que não se ouve falar dele na grande imprensa?  Primeiro, porque dizer da vulnerabilidade do macho vai de encontro aos interesses dos mandatários dos meios de comunicação, pessoas, em sua maioria, de viés comunista/esquerdista, às quais é conveniente manter o quase sempre injusto status de opressor do homem e o de indefesas vítimas de outros segmentos da sociedade. Segundo, que o machocídio é pouco chamativo, tem menos impacto cênico, não produz imagens fortes que possam ser aproveitadas pela imprensa sensacionalista, ou satisfazer a eterna morbidez dos espectadores.
Dificilmente, uma vítima de machocídio apresentará um olho roxo, a boca sangrando, hematomas pelo corpo, ou será morto à bala, ou à faca. O machocídio não é impetuoso, é calmamente planejado e conduzido. O machocídio é sutil, insidioso; não menos brutal, porém. O machocídio não é cometido de fora para dentro - um soco, um tiro, uma facada -, é instalado de dentro para fora, uma lenta e surda implosão. Da alma.
O cara mal saiu da lua de mel e qual é a primeira coisa com que a rádio patroa começa a implicar? Com a sagrada cervejinha do sujeito. E nem estou a dizer do álcool em seu estado mais bruto, da pinga, nem do cara que toma porre atrás de porre e dorme na sarjeta; nada disso. Digo da sacrossanta cerveja, aquelas duas ou três latinhas ao fim do dia. A cerveja é a hóstia consagrada do macho. é através da cerveja que ele se religa e entra em comunhão com o Universo. E o que faz a mulher? Cerceia a religiosidade do sujeito. Um soco na alma.
Depois, vêm os amigos. A dona Onça não gosta deste, não gosta daquele nem daqueloutro. Encontrar com os amigos é uma outra forma do macho moderno se reconectar à sua ancestralidade de caçador-coletor, de prestar o devido tributo às suas origens, de recarregar a sua virilidade primata. A dona Onça também acaba com isto. Uma cutelada na alma.
E a violência doméstica contra o macho só vai piorando : não deixar a tampa da privada levantada, não jogar a toalha molhada em cima da cama, não sentar pelado no sofá, não peidar pela casa, cortar as unhas do dedão do pé, trocar a cueca todos os dias, não ver mais filmes pornô etc etc etc. Um golpe atrás do outro.
De tão sub-reptício, o machocídio, muitas vezes, é crime que nem cádaver a rigor produz. O machocídio mata em vida. Não é violência física. É violação e castração psicológicas. É tortura chinesa.
O machocídio não deixa pistas, vestígios nem evidências. É o crime perfeito. Ainda mais e uma vez que a sua existência nem é admitida. Não há perito ou CSI que o prove e comprove.
Por meus olhos, por meus sonhos, por meu sangue, tudo enfim, é que peço a esses moços que acreditem em mim : querem vida longeva? Não bebam, não fumem, não dirijam, não façam inimigos e, principalmente, não se casem com uma rádio patroa.
Mas a minha namorada, Azarão - alguns poderão contra-argumentar - é um doce de menina; ou, a minha noiva é de uma delicadeza e compreensão ímpares. Eu acredito. Porque ainda não são esposas.
Para não dizerem que tudo é invenção minha, para terem acesso ao estudo dinamarquês, basta clicar aqui, no meu poderoso MARRETÃO.
Que eu, agora, vou lá, lavar a louça da janta.