Sempre fui um sujeito precavido, previdente, resvalando, por vezes, as raias da paranoia. Gosto de pensar que tenho sempre um plano, ainda que um esboço, para os imprevistos previsíveis, inevitáveis. Feito a velhice, que campeia, não obstante de bengala, a passos cada vez mais largos. 
Não acredito em futuros já grafados no livro de algum deus sádico, em garranchos escritos nas estrelas, em predeterminações etc. Acredito em possibilidades, em possíveis linhas temporais, em variados caminhos que darão, inevitavelmente, à mesma Roma em cinzas e ruínas. Uns mais esburacados, outros, melhor pavimentados, sinalizados, pedagiados, até; a depender do GPS e da sorte de cada um. Enfim, acredito em vias crúcis alternativas que conduzirão ao mesmo Gólgota.
Em um desses possíveis futuros inglórios, serei um octogenário saudável, dentro do possível; um velhinho pimpão. Serei capaz de comer com minhas próprias mãos, andar com minhas próprias pernas e limpar o meu próprio cu. Nesta possível linha temporal, acredito, as pessoas de minha convivência ainda serão capazes de me tolerar. De terem-me por perto, feito um gato velho do qual se releva os pelos deixados no estofamento do sofá novo, os arranhados nos batentes das portas e os esporádicos e melancólicos miados roucos para a Lua e para os telhados vazios - a nênia de todo gato. Tolerarão-me feito uma presença, um espectro , um tipo de fantasma que não se desapega de sua antiga residência.
Em outro possível tentáculo de minha linha temporal, eu não me torno apenas velho; também senil, gagá. Terão que me dar comida à boca e trocar minhas fraldas. Nesta ramificação temporal, o melhor para todos é que me internem num asilo para velhos. O que, atualmente, é chamado de lar de idosos, casa de repouso da terceira idade etc. A merda do politicamente correto não nos deixa usufruir nem do último prazer da vida, que é o de ser velho, que é o carimbo de soltura no nosso prontuário da condenação à vida, que é o nosso habeas corpus da existência; querem-nos idosos, envelhescentes.
Com o aumento artificial da expectativa de vida do brasileiro, e raramente da qualidade da mesma, tais lares para velhinhos estão a proliferar. Há vários deles no meu bairro; inclusive, um bem em frente ao prédio em que moro, bem em frente à minha sacada. Moro em apartamento há 32 anos. Acham que a vida, pulsante, jovem e de peitos empinados já se exibiu das janelas dos prédios em frente para mim? Nunca flagrei um único peitinho. No entanto, a morte faz seus ensaios todos os dias quando saio para tomar o meu café e/ou minha cerveja.
Tenho andado, portanto, a observar esses lares para idosos sempre que passo defronte algum deles, a tentar entender seus funcionamentos, suas dinâmicas, a armazenar dados para futuras necessidades. Todos parecem seguir os mesmos protocolos e cronogramas. De manhãzinha, os velhos são colocados às varandas e aos alpendres para tomarem um pouco de sol - não deixar criar bolor e mofo nas rugas-, depois as enfermeiras se revezam dando comida e remédios, comem bem os velhinhos, o asilo daqui de frente de casa, em sua placa com um casal de velhos sorridentes, garante que serve seis refeições diárias, há também sessões de exercícios físicos com fisioterapeutas, e assim o dia vai transcorrendo. Ao entardecer, os velhinhos são recolhidos e desaparecem para dentro das casas.
Aparentemente, levam vida boa e confortável, os velhinhos, porém, em nenhum desses asilos, nunca ouvi uma música tocando (e eu vivo com o toca-CD ligado o dia todo), nunca vi um único velhinho com um jornal, um livro, um caderninho com uma caneta, ou mesmo com palavras cruzadas nas mãos (viver em silêncio, sim, mas sem a palavra, não), nunca vi, nem aos sábados, domingos, feriados e aniversários (sim, eles comemoram aniversário, com bolo, parabéns e tudo), um velhinho molhando o bico com uma latinha de cerveja (oh, Morte, abstinência é um de seus nomes). E essa estória, então, de atividades físicas diárias? Eu nunca fiz exercício nem quando era novo, vou me meter a besta depois de velho? Quero é sossego. E minha dúvida, de onde me instalarei na velhice, continuava...
Mas são nestas horas de angústia e de indecisão que os amigos nos valem. Mesmo sem saber. Mesmo sem serem requisitados sobre o assunto, nos vêm com uma luz no fim do túnel. Ontem, meu primo Leitinho me mandou uma notícia sobre um fato insólito ocorrido em um asilo norte-americano em Oklahoma, o Parkview Nurse Center.
Giselle Horney, 49 anos, uma das enfermeiras do asilo, foi detida e acusada de abusar sexualmente de vários idosos. As investigações e os depoimentos indicam que os abusos vêm ocorrendo há cerca de três anos e atingiram mais de 78 residentes da instituição, homens e mulheres com idades compreendidas entre os 72 e os 103 anos. Ela dava viagra para os velhinhos e depois os forçava a fazerem sexo com ela.
As suspeitas foram levadas por alguns funcionários a Elise Wood, a gerente do asilo, que estavam a estranhar o permanente estado de ereção de alguns residentes do sexo masculino. Era bengala em riste pra tudo quanto é lado. Câmeras de vigilância foram instaladas nos quartos dos idosos, e as suspeitas, confirmadas.
Giselle Horney chegava a fazer sexo com mais de 20 velhinhos por dia. É Geni, da música do Chico, "e também vai amiúde com os velhinhos sem saúde e as viúvas sem porvir, ela é um poço de bondade...".
Ouvidos pela polícia, os velhinhos não quiseram prestar queixa contra Giselle, muitos, inclusive, disseram ter gostado dos "abusos" por parte da enfermeira. Um dos idosos entrevistados disse : "Ela foi a melhor coisa que me aconteceu desde que minha mulher faleceu há 35 anos, mas admito que passar horas e horas por dia com ereção era um pouco aborrecido e incômodo".
Outros, apesar de confirmarem que as trepadas com Giselle foram consensuais de parte a parte, disseram não ter gostado dos "brinquedos sexuais" e das "brincadeiras anais". Uns mal-agradecidos, esses velhinhos. O sujeito tá lá, com 90 e tantos anos, no bico do corvo, aí vem uma ninfetinha de 49 anos, deixa o cara de pau duro e dá pra ele. E o cara tá reclamando do quê? Dum fio-terra?
Rapaz, se um dia eu estiver com 90 anos, de pau duro e com uma doida querendo dar pra mim, tudo o mais que vier (ainda que por trás) será lucro, será bônus. Vê lá se eu vou ficar regulando a mixaria dum cu velho, reclamando de uma cutucada no toba seco. Pããããããããããta que o pariu!!!!
Com a divulgação do ocorrido, espero que outros lares para idosos, de outros países, realizem estudos e experimentos acerca do método revolucionário de Giselle Horney, para promoverem ainda mais o conforto e o bem-estar de seus residentes. Ou que Giselle, após sair do xilindró, resolva abrir sua própria franquia de asilos, a Old Man with Hard Cock's Home, ou, vertido para o bom português, o Lar dos Velhinhos de Pau Duro. E que inaugure o primeiro deles, o quanto antes (meu tempo urge), aqui em Ribeirão Preto. E o segundo em Belo Horizonte, certo, JB?
A gerontófila Giselle Horney