Três alunos da USP foram pegos com maconha por policiais que patrulhavam o campus da universidade e, infratores que são, receberam as devidas reprimendas. Normal. Nada de mais.
Acontece que os delinquentes, mimados pelas famílias, psicólogos, pedagogos e pelo ECA (sim, desgraçadamente os universitários de hoje já são crias do permissivo estatuto da criança e do adolescente), sentiram-se ofendidos, feridos em seus "direitos". Direito de quê, de fumar maconha?
Junte-se a isso o fato de serem alunos da USP e se julgarem a nata da ricota, a coisa deu no que deu. Os maconheiros se consideraram no direito de cometer crimes "maiores" : invasão, ocupação e depredação de patrimônio público.
Sinceramente, não acompanhei o desenrolar e as negociações da Revolta da Chibaba (não confundir com Revolta da Chibata), até porque reivindicação de maconheiro, por mais que a imprensa tenha interesse em estender o fato e dar-lhe ares de "conquista social", é uma só : fumar maconha. Os fumeiros querem a polícia fora do campus para que eles possam fumar seus cigarrinhos do capeta.
Se a maconha deve ser, ou não, legalizada, é outra questão; se ela faz mais ou menos mal que o cigarro de nicotina ou a bebida alcoólica, é ainda outra discussão. O fato é que, hoje, a maconha é ilegal no Brasil. Logo, seus portadores são infratores, criminosos, foras-da-lei literalmente. E como tais devem ser tratados.
Achei a PM até muito boazinha nesse caso. A Universidade não pode se tornar uma embaixada para o infrator, e nem seus matriculados, cidadãos com imunidades especiais. A PM deveria ter adotado o procedimento-padrão de quando pega um maconheiro na rua e este reage à sanção, deveria ter descido o cassetete nos "estudantes".
Não sei em que pé andam as negociações e nem quero saber, o que parece é que logo, logo, esses delinquentes mimadinhos terão o que merecem por acharem que cagam mais cheiroso que os outros. Se não pelo poder estabelecido do Estado, por um poder paralelo a ele, que é o sempre ocorre quando o oficial se omite ou é negligente. Nesse caso, os famosos skinheads prometem assumir a bronca, terão a coragem que a Lei não teve, ou, pelo menos, não terão a preguiça e a desfaçatez dela.
Cartazes foram espalhados no campus pelos skinheads : "Atenção drogado: se o convênio USP-PM acabar, nós que iremos patrulhar a Cidade Universitária!"; "maconheiro, aqui você não terá paz"; "se te pegarmos consumindo drogas,enfiaremos tudo no seu rabo". O recado é bem claro, não dá margem a dúbias interpretações, não dá pra neguim dizer que não foi avisado.
Caso o acordo entre USP e PM for desfeito, levando à retirada dos policiais, os skinheads garantem compor uma milícia para patrulhar o campus. Com uma semana de patrulha skinhead, aqueles bostinhas da USP vão implorar de joelhos pela volta da PM ao campus. 
Conheço bem a porra desses liberais de universidade - vivi no meio deles -, quando infringem a lei em ganho próprio, estão protestando contra um Estado autoritário e castrador; quando outros infringem a lei e os prejudicam, são os primeiros a chamarem a polícia e a cobrar resguardo do poder público, o mesmo que contestam e desafiam. São hipócritas, cagões e bundas-moles.
Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia; os Uspianos verão que eles também precisam. Os skinheads seriam excelentes professores para esses merdinhas, fariam-nos sentir na carne (inchada, dolorida, roxa e sangrando) a real necessidade das leis e seus agentes em uma sociedade.
Ser cidadão e, sobretudo, livre é obedecer às leis e, contando com que todos façam o mesmo, usufruir dos benefícios e proteção que elas asseguram. Liberdade não é poder transgredir as leis impunemente, ou evocá-las apenas quando conveniente. Liberdade e cidadania, numa sociedade minimamente organizada, é toma lá, da cá, é ação e reação, é terceira lei de Newton.
Os skinheads seriam bem capazes de ensinar a verdadeira cidadania e o conceito de liberdade coletiva aos filhinhos da USP, muito mais que qualquer acadêmico empoado de sociologia, filosofia ou ciências políticas.
Abaixo um dos cartazes colados pelo campus:
Fonte : Folha de São Paulo