O escultor espanhol Ricardo Flecha recebeu uma encomenda da prefeitura de Medina del Campo (Espanha) para fazer uma escultura de Cristo, a ser exibida em tradicional procissão da cidade, em 9 de abril. Ricardo Flecha concebeu Cristo em Braços da Morte, uma obra com 2,45 m de altura, onde a figura encapuzada da Morte abraça por trás, numa evidente encoxada, o vosso senhor Jesus Cristo, que está pelado, peladão, com o pau de fora; e, diga-se a propósito, um pau bem modesto, uma coisinha ridícula, seu pai, o suposto Todo-Poderoso, bem que podia ter lhe dado uma benga maior.
Pronto. A sensibilidade dos fiéis locais já foi ferida. É inacreditável a sensibilidade - e a falta do que fazer - das pessoas nos dias de hoje. Ricardo Flecha diz que ele só quis retomar a estética barroca na representação de figuras sacras, no século XVI era comum figuras desnudas. É verdade, os famosos anjinhos barrocos estão sempre peladões. O prefeito já pensa em vestir a imagem para a procissão e depois deixá-la peladona de novo.
Particularmente, não vejo problema algum em exibir a piroquinha de Cristo. A minibenga do Davi, de Michelângelo, está há anos exposta e não causa constrangimento a ninguém, a não ser ao próprio Davi. Se Ricardo Flecha tivesse concebido Cristo de pau duro e grande, ainda vá lá toda essa comoção, mas pinto pequeno e mole não ofende ninguém. Nem que quisesse.
Fonte : BBC Brasil