Um Caderno em Branco é Uma Vulva Aberta

Um caderno em branco
É uma buceta aberta,
Peluda
Visguenta, movediça
Dentata.
Sequiosa por ser preenchida
Por alguém que lhe dê uma boa pirocada. 
Que é a isso
Que uma buceta se presta,
Ser preenchida
Locupletada até o talo.
 
Um caderno em branco
É uma buceta aberta
Uma tábula rasa
Um vácuo dimensional
Um universo
A ser estrelado e planetado
Sequioso por alguém
Que lhe dê umas boas canetadas.
Que é a isso
Que um caderno em branco se presta,
A penar e convulsionar
Sob o jugo
Sob a dominação
Do rijo tungstênio de uma caneta.
Ser riscado
Rabiscado
Rascunhado
Melado
Untado
Ungido
E besuntado 
Por suas tintas baratas e indeléveis.
 
Já fui bom,
Muito bom,
Em rabiscar, rascunhar, rasurar.
Em alagar cadernos em branco
(que são como bucetas abertas)
Com minha antes
Incansável caneta
E inesgotáveis tintas. 
 
Hoje
As páginas em branco do caderno
Ficam lá,
Pegando pó e sol,
Abertas e arreganhadas
(como uma buceta peluda)
Até que lhes deem cãibras 
Em seus pequenos
E grandes lábios. 
 

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