Fogos de artifício
Cisalham
Retalham
Desbeiçam
Sangram
O indefeso céu da meia-noite,
Fazem o breu de refém
Fazem-no fugir com o rabo entre as pernas
Afugentam
Expulsam
As musas e as mariposas
Que ficavam dando voltas em volta de mim
Todas as noites
Só pra me beijarem.
Estouros, espoucos, estrondos
E os seus ecos saídos das gargantas
Dos idiotas vestidos de branco
Amordaçam o silêncio
Das horas escuras.
Torturam
Nos porões da ditadura
De seus QIs de símios
E condenam ao exílio,
Sem possibilidade de nenhuma anistia,
A liberdade de quem
Não quer tomar parte
De suas insanidades
De seus exibicionismos
De suas tacanharias
(assim como o sono dos pardais empoleirados nos ramos dos oitis).
Afligem
Apavoram
Põem em pânico
Cães
Gatos
Peixinhos dourados
Urutaus
E damas-da-noite.
Meu consolo?
Minha quase vingança
(sim, porque a plena seria, a um por um, esganá-los com minhas próprias mãos, romper-lhes a murros as traqueias e vê-los, barulhentos que são, que se orgulham de ser, morrerem afogados, asfixiados na sua própria falta de voz)?
É que
Amanhã
Esses filhos das putas
Continuarão a levar as mesmas vidas de merda
Que sempre tiveram.
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