É o dente,
Bem o incisivo esquerdo central,
Que perde a briga para o torresmo
(na eterna luta do rochedo contra o mar)
É a unha,
Bem a do hálux, o famoso dedão do pé,
Que é tomada por fungos
(aparentados dos posseiros do MST)
E enfraquece
E esfarela feito bolacha água e sal
E cai,
Sem substituta que tenha lhe crescido por debaixo.
São as vistas
Há muito a falhar para perto,
Negando-me clássicos da Literatura e até uns gibis,
E começando a ratear também para o horizonte,
Turvando,
Mais que a poluição,
Meu pôr do sol.
Vistas de músculos cansados
Ou simplesmente cansadas de ver o mundo?
É o pau,
Que,
Depois de velho,
Sem causa, razão ou circunstância,
Rebelou-se,
Deu para andar com más companhias,
Virou unha e carne
De François Gigot de la Peyronie.
E agora, o cu!
Logo o cu!
E agora, o cu!
Um leve desconforto
Um pequeno inchaço numa prega.
E agora, o cu!
Logo o cu!
Incipiente hemorroida,
Pólipo invasor,
Furúnculo oportunista,
Ensaio de um prolapso,
Embrionário tumor?
Esperar... observar...
Nebacetin três vezes ao dia,
Nimesulida automedicada,
E esperar... observar...
Somos puro estrume!
Compartimentado,
Acondicionado,
Ensacado em células,
Em simulacro de vida.
É a podridão, meu velho!
E no entanto,
Como diria Galileu,
Ele se move,
O corpo se move.
Por :
Opção 1 : obra e graça de Deus?
Opção 2 : obra e zombaria de Deus?
Não há opção 3.
Não há 3ª via no Universo.
Mas no cu?
Logo no cu?

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